Gente que a gente admira divide conosco pequenas lições sobre o uso do dinheiro.

TROCO

Lucas Malucelli: Sem remoer o passado

A minha relação com o dinheiro não é a mesma no campo pessoal e no profissional. Como pessoa física, digamos assim, sou mais desapegado, pois gosto bastante de viajar e aproveitar o tempo livre para conhecer bons restaurantes, por exemplo. Acredito que não adianta deixar o dinheiro no banco e não aproveitar os benefícios que ele nos traz. Já em relação ao trabalho sou uma pessoa muito mais equilibrada: procuro sempre cumprir o orçamento da empresa e aumentar ao máximo a lucratividade das nossas operações, seja melhorando algum processo produtivo, cortando custos desnecessários, deixando o custo fixo o mais baixo possível e investindo no que traz retorno financeiro para nós.


Aprendi que errar o orçamento da sua empresa, seja para mais ou para menos, irá lhe custar muito tempo, dedicação e dinheiro. Para mim, maus negócios ou negócios que estão dando prejuízo só fazem com que fiquemos estagnados. Assim, acho melhor ter prejuízo com a operação e partir para uma nova empreitada sem remoer o passado, porém sabendo o que deverá ser melhorado no passo seguinte.

Lucas Malucelli é um dos sócios da rede de franquias de macarrons Passion du Chocolat

Cristina Kerr: "É preciso acreditar na causa"

Sou muito “mão aberta” em relação aos meus projetos. Faço um planejamento financeiro, corro atrás de patrocínio, mas prefiro acreditar na ideia e lançar para depois ver se vai dar lucro, se foi financeiramente viável. É uma questão de acreditar que os projetos vão fazer diferença na sociedade e não pensar apenas no dinheiro. Se fosse só essa a minha motivação, talvez nem levasse algumas ideias adiante.

Em 2011 quando lancei o Fórum Mulheres em Destaque, por exemplo, ninguém acreditava na causa e eu tive que investir dinheiro do meu próprio bolso por dois anos antes que o evento se pagasse. Muita gente teria desistido, mas eu sempre acreditei na ideia, sabia que esse tipo de evento traria uma série de benefícios para a sociedade. Então fui em frente e hoje posso ver os frutos que colhemos com a iniciativa, atraindo mais empresas, reunindo grandes líderes e ajudando mais mulheres a chegarem ao topo nas lideranças.

Assim, o meu grande aprendizado no campo das finanças foi não misturar a relação pessoal com a profissional. Minhas maiores perdas foram nesses casos, tendo envolvido amigas em sociedades. Hoje não misturaria amizade com negócios como já fiz antes, preciso é atrair pessoas com a mesma visão que eu para trabalhar comigo.

Cristina Kerr é diretora da CKZ Eventos, empresa que organiza o Fórum Mulheres em Destaque 

 

'Fui capaz de poupar em qualquer situação'

Sou um viciado em informações sobre finanças pessoais. Desde muito cedo, por razões que desconheço, fui capaz de poupar em qualquer situação. Poupava mesmo quando recebia uma pequena mesada de meu pai. Poupava quando recebia um pequeno salário como estagiário e assim continua até este momento.

A única exceção foram dois anos em que tive minha primeira filha e resolvemos que minha esposa pararia de trabalhar. Sem uma renda importante e com aumento incrível dos gastos, foram dois anos em que não consegui poupar.

E desde 1997 sou muito diligente em controlar minhas contas. Eu sei dizer quanto gastei no dia 01 de outubro de 1997 ou quanto economizei em 2001 ou quanto economizei de 1997 a 2015. A questão é de disciplina para sentar por uma hora por semana para controlar os gastos.

Fazendo este tipo de controle, uma coisa que chama atenção é a acumulação de valores no tempo. Foram, por exemplo, mais de R$ 35 mil gastos só em TV a cabo!

Um efeito mais agradável do passar do tempo é a bola de neve de seus investimentos. São anos investindo sem ver grande mudança no seu patrimônio, o que pode desanimar, mas a partir de certo momento seu patrimônio começar a crescer numa velocidade muito mais interessante, muito embora seu esforço de poupança ainda é exatamente o mesmo.

É o benefício dos juros compostos, que minha experiência diz que começa a ser perceptível depois de cinco anos de investimento e que fica realmente interessante depois de 10 anos.

Em relação aos meus investimentos, eu foco em obtenção de renda muito mais do que valorização. Gosto de múltiplas fontes de renda, assim faz muito tempo que contratei dois planos de previdência com benefício definido (as seguradoras pararam de vender este produto), invisto em imóveis para obtenção de renda do aluguel, principalmente através de fundos imobiliários, ações pagadoras de dividendos e um pouco de renda fixa para ter recursos para qualquer emergência.

Para chegar nesta conclusão foram literalmente anos lendo, se informando, refletindo e também muita experiência na prática. Cada pessoa precisa achar seu mix ideal, pois não há uma só solução para todo mundo. Nossa capacidade de tomar riscos (financeira e psicologicamente) é diferente do nosso vizinho e assim nossa carteira tem que ser também.

Também são diferentes as necessidades de renda de cada um. Um erro básico que vejo muito acontecer é das pessoas só trabalharem a questão de investimentos e não darem a devida importância para o estilo de vida que terão no futuro. O efeito de uma redução dos gastos que você terá quando atingir a sua independência financeira é muito maior que qualquer aplicação financeira mirabolante.

A simples decisão de morar numa cidade de pequeno porte pode significar uma redução de centenas de milhares de reais a menos na reserva necessária para você atingir a independência financeira.

Entender melhor a si mesmo para saber exatamente as coisas que te deixam felizes e separar daqueles gastos que não adicionam nada à sua vida é essencial para desenhar um plano de independência financeira de sucesso.

Marcio Fenelon é especialista em Imóveis da Empiricus

Camila Conti: 'O dinheiro serve para melhorar a vida'

Venho de uma família que nunca soube muito bem como lidar com as finanças. Não tive educação financeira e sofri, sofro ainda hoje, por não saber lidar com o dinheiro de uma forma mais saudável. Estou aprendendo a gastar menos, a administrar melhor o que ganho, mas sinto que ainda tenho um looooongo caminho pela frente.

Acho que o mais importante é saber lidar com o dinheiro de uma forma equilibrada, sem ser super gastona ou pão-dura. O dinheiro serve para melhorar a vida e não para piora-la. E tem coisas que, definitivamente, não dependem de quanto a gente tem na conta.

Agora trabalhando com mães empreendedoras no Maternativa descobri que, quando você se vê responsável pela administração do dinheiro da sua empresa, naturalmente passa a ser mais criteriosa e cuidadosa. É comum as mulheres irem aprender sobre finanças, por exemplo, somente quando se tornam empreendedoras. Empreender demanda uma gama de conhecimentos bastante ampla e só o processo de começar a aprender para abrir seu próprio negócio já é uma super oportunidade de desenvolvimento. E o dia a dia vai deixando a gente craque!

Camila Conti é uma das fundadoras da rede Maternativa, que reúne mães empreendedoras

'O dinheiro adora ficar perto de quem gosta dele'

A minha relação com o dinheiro é de respeito, estabilidade e cuidado. Acredito que ele quer ser bem tratado. E quando alguém não o trata bem, ele acaba indo parar nas mãos de outros. Acredito também que a nossa relação com o dinheiro reflete a relação que temos conosco mesmos. Se somos infantis, fazemos más escolhas e não nos sentimos capazes de cuidar bem da própria vida em suas mais variadas instâncias – física, emocional, social, espiritual, etc, também não somos capazes de fazê-lo na esfera das finanças.

Tive uma experiência familiar de muitas dificuldades financeiras. Cresci estudando em escolas públicas e, depois, quando jovem, tive a oportunidade de obter uma meia bolsa numa escola particular, paga com muito sacrifício pelo meu pai. A convivência com pessoas financeiramente superiores a mim fez-me sonhar e abriu-me um horizonte de possibilidades e desafios: “Não posso hoje, mas vou estudar e trabalhar para um dia também poder!”
Minha mãe sempre me estimulou a ser uma mulher economicamente independente e a vontade de trabalhar e gerar meu próprio dinheiro começou cedo. Aos 16 anos consegui meu primeiro emprego e sempre mantive meus estudos paralelamente. Estudar e descobrir coisas novas pra mim sempre foi como respirar: vital. Isso me ajudou muito a ser investigativa e a construir novos quadros de referência.

Mesmo antes de cursar a faculdade de Psicologia, já me interessava pelo tema das finanças comportamentais, pois muito me intrigava os diferentes comportamentos das pessoas frente ao dinheiro. Me instigava a possibilidade de compreender mais a fundo a psique humana com suas infinitas possibilidades de atuação: “por que esta pessoa consegue guardar dinheiro e esta outra não?” “Por que muitas pessoas sabem que é preciso gastar menos do que ganham e não o fazem?” “Por que mesmo sabendo que estão quebradas financeiramente, algumas pessoas continuam consumindo como se nada estivesse acontecendo?” Essas e muitas outras perguntas permeavam meus pensamentos e minhas reflexões. E me motivaram a pesquisar e observar as pessoas, tentando encontrar respostas e explicações que me satisfizessem.

Fui servidora pública durante dez anos e resolvi exonerar-me para poder empreender minha carreira com mais afinco. Acredito que a gente faz a própria história, batalhando por uma vida melhor. Se fizermos as coisas com fé, dignidade, honestidade, dedicação e excelência, prosperar é apenas uma questão de tempo. Não me acho melhor do que ninguém e também não tive sorte, apenas busquei realizar meus sonhos com profundidade. Se um consegue, os outros também podem chegar lá: esse é meu lema de vida. É apenas uma escolha, que envolve custos, não só financeiros, mas também emocionais, físicos e relacionais. Cada um decide até onde quer voar. Com tudo o que vivi, aprendi a valorizar cada centavo do meu dinheiro.

Dessa forma, ao longo do tempo, entre os meus aprendizados no campo das finanças estão:


1 - Dinheiro é apenas um instrumento de troca. Ele é neutro. Nem bom, nem mau. Você pode usá-lo de forma equilibrada ou não. A escolha é de cada um.
2 - Não adianta querer arrumar a vida financeira se a vida emocional está um caos. As duas caminham juntas. E uma é reflexo da outra.
3 - Traçar metas é fundamental para alçar voos. Cumpri-las ou revê-las é essencial para chegar mais longe.
4 - O planejamento financeiro é uma ferramenta necessária para atingir seus objetivos. É preciso segui-lo, mas sem ficar engessado nos próprios projetos. É importante ter flexibilidade para mudar os rumos, caso o vento mude.
5 - Dinheiro não gosta de gente infantil, por isso ele vai sempre parar na mão de quem é mais maduro emocionalmente. E adora ficar perto de quem gosta dele. Ele foge de quem não o vê com "bons olhos”.
6 - Nossos gastos têm pouco a ver com nossas reais necessidades e tudo a ver com nossas insatisfações na vida. Sem parar para se perceber e se olhar, fica difícil crescer financeiramente.
7 - Viver uma vida de aparências e tentar manter um padrão de vida acima da sua realidade é uma armadilha. Quem primeiro cai nela é a própria pessoa.
8 - Sucesso só vem antes de trabalho no dicionário. É preciso fazer o que ama com dedicação e capricho. Depois o dinheiro vem, naturalmente.
9 - Parar de reclamar e assumir responsabilidade pelas suas escolhas é decisivo para crescer economicamente. Ser sujeito e não objeto da própria vida faz toda a diferença, especialmente para as finanças.
10 - Se você esperar sobrar dinheiro para investir, talvez não sobre. Mude o pensamento de “gastar primeiro e investir as sobras” para “investir primeiro e gastar o que sobrar”. E construa seu orçamento dentro deste patamar.
11 - Poupar para os sonhos. Sempre. Não para as emergências. O inconsciente é regido pelo princípio do prazer e uma emergência geralmente é algo desagradável. Apenas quem é muito disciplinado e autocontrolado consegue juntar dinheiro para emergências. E olhe lá! É mais fácil juntar dinheiro para o prazer. Se pintar a emergência e precisar usar o montante guardado, flexibilize seus prazos e use o bom senso. Isto é ser adulto.
12 - As melhores coisas da vida são gratuitas: abraço, beijo, cafuné, comer fruta embaixo do pé, dormir, namorar, ouvir e falar “eu te amo”, caminhar ao sol, tomar banho de cachoeira, encontrar os amigos, dançar, meditar. Quem usufrui disto, não precisa consumir tanto.

Angélica Rodrigues dos Santos é psicóloga, educadora, palestrante e consultora da Libratta Finanças Pessoais. É ainda coautora do livro Família, afeto e finanças – como colocar cada vez mais dinheiro e amor em seu lar (Ed. Gente) e da coleção Crescer e Enriquecer - Educação Financeira Infantojuvenil - construindo a base para a riqueza e a cidadania (Ed. Humanidades)

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