Gente que a gente admira divide conosco pequenas lições sobre o uso do dinheiro.

TROCO

'Aprenda a viver com o dinheiro que você tem'

Minha relação com o dinheiro é tranquila e devo muito disso à educação que recebi dos meus pais, que sempre insistiram para a necessidade de “não dar um passo maior do que a perna”. Em outras palavras:  aprenda a viver com o dinheiro que você tem.

Evidentemente, como qualquer criança, passei por apuros algumas vezes, mas, ao perceber que não teria moleza, aprendi a viver no limite da mesada, mesmo que isso implicasse em deixar de acompanhar os meus amigos em alguns programas.

Assim, as coisas mais importantes que aprendi foram: 1) dinheiro é algo difícil de conquistar, mas fácil de perder; 2) dinheiro não aceita desaforo, ou seja, não pode ser desperdiçado irresponsavelmente.

Para quem está em dificuldades financeiras nesse momento, só tenho a dizer que procure traçar um quadro bem claro da situação e, a partir desse diagnóstico, estabelecer um plano de como ir quitando as dívidas pouco a pouco enquanto, simultaneamente, administra suas despesas correntes, mantendo apenas as que forem absolutamente prioritárias. É fundamental não deixar eventuais dívidas crescerem ainda mais, principalmente através de mecanismos aparentemente fáceis, como o cheque especial ou o cartão de crédito, que cobram taxas de juros astronômicas.

Aliás, esse é o caminho mais rápido para o desastre, uma vez que as dívidas vão se transformando numa verdadeira bola de neve. Como em qualquer tipo de hemorragia, com o dinheiro acontece a mesma coisa: num primeiro momento é essencial estancar o sangue e, a partir daí, iniciar os procedimentos de quitação das dívidas anteriores, tendo em mente que para isso será necessário, por algum tempo, utilizar parte das receitas correntes.

O tempo desse sacrifício será proporcional ao volume do esforço: com disciplina e rigor no controle dos gastos, o sacrifício será menor. Sem disciplina e poupando muito pouco, o sacrifício deverá perdurar por mais tempo.

Luiz Alberto Machado é economista, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e vice-diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) em São Paulo

'Comece se planejando financeiramente'

Minha relação com o dinheiro sempre foi bem realista. Venho de uma família sem muitos recursos e desde adolescente percebi que se eu quisesse alguma coisa tinha que correr atrás, então comecei a trabalhar com 15 anos de idade.

Como jornalista sempre tive dois empregos e o cuidado de não gastar mais do que ganho. Meu marido é corretor de imóveis autônomo e me ensinou que quanto menos prestação, melhor. Evitamos ao máximo dívidas muito longas.

Há dois anos decidi criar o blog Partiu Plano B, que tem o objetivo de contar histórias de sucesso de empreendedores. E além de inspirar os leitores também tomei coragem para empreender e transformar o blog em negócio.  Adoraria dizer agora que fiquei rica depois que criei o blog, mas descobri que não é bem assim.  Como qualquer negócio, um blog demora  a dar retorno.

Com os meus entrevistados empreendedores  descobri que mesmo que você tenha certeza que sua ideia é incrível, não dá para largar tudo e cair de cabeça em um sonho. Tem que sonhar sim, mas com os pés no chão. Se você  quer ter um negócio próprio comece se planejando financeiramente porque o retorno normalmente demora.  Se o seu objetivo é só o dinheiro, sinto muito, você vai se frustrar.

Voltando ao blog Partiu Plano B, a melhor dica que me deram:  “Trabalhe muito, seja disciplinada com os posts , divulgue muito e trabalhe mais ainda”. Fazendo assim começo a colher alguns frutos, mas não posso nem pensar em deixar o meu emprego fixo. Já ganhei dinheiro sim com publieditorial e alguns anúncios, mas o maior reconhecimento por enquanto é pessoal. É o orgulho de estar construindo um projeto meu.

Consegui ganhar credibilidade com meu trabalho, as pessoas que entrevisto me mandam mensagens  dizendo que se emocionam lendo suas histórias no blog e também me pedem dicas de empreendedorismo.  Até  já dei uma palestra para contar as histórias do blog. Acho que estou no caminho certo. Ah sim, otimismo é um dos segredos dos empreendedores de sucesso.

Vanessa Brollo é jornalista fundadora do blog Partiu Plano B (www.partiuplanob.com.br), com histórias de empreendedores

'Equilíbrio entre gastos e realizações'

Todas as minhas conquistas foram alcançadas com meus esforços, afinal nasci em uma família humilde.

No início da minha carreira, o que ganhava não dava para pagar sequer minha tão sonhada faculdade. As mensalidades da faculdade eram pagas com um complemento que meus pais me davam. Sou muito grata a eles e tudo que passamos só me trouxe a cada dia ensinamento e sabedoria para que eu continuasse na busca pelos meus objetivos.

Aprendi desde pequena a lidar com a parte financeira e hoje estou certa que consigo ter uma relação equilibrada entre gastos e realizações.

Acredito que a base do sucesso para que possamos conciliar nossas finanças é realizarmos um excelente planejamento financeiro. É olhar para um futuro desejável e não esquecer o presente, a realidade. Não gaste mais do que ganha e quando possível reserve mesmo que um pequeno valor para investir.

Hoje as planilhas de controle de gastos se tornaram muito presentes em minha vida e me ajudam muito para que eu saiba o quanto posso gastar e a conseguir economias que poderão ser investidas em realizações de projetos que tenho em mente.

Daiane Nabuco é diretora de Prática de Investigações e Riscos Globais da FTI Consulting, empresa mundial de consultoria empresarial. Formada em Ciências Contábeis, ela é pós-graduada em Auditoria e passou por empresas como Grand Thorton e Ernst Young.

Rosely Boschini: 'Não existe liquidação'

A minha relação com o dinheiro sempre foi sem conflitos porque o vejo como um meio de adquirir conhecimento, muito mais do que bens materiais. Acho que todos os meus gastos estão em torno de conforto básico e conhecimento. Não sei a marca de nenhuma das minhas roupas, mas tenho a mão aberta para visitar um lugar novo, comer algo que nunca comi antes, assistir a um musical.

Minha relação com o dinheiro é desprendida nesse sentido, eu acumulo só o suficiente, acho importante investir algum todos os meses, o que faz parte de um exercício de não precisar viver com todos os recursos disponíveis.

Para mim, não existe liquidação: quando você vai a uma liquidação nunca é para comprar o que você precisa ou deseja. E comprar o que você não precisa e nem deseja não é economia. Economizar é sair para as compras e levar o necessário, evitando a chateação de depois nunca usar o que você comprou.

Dinheiro existe para proporcionar desenvolvimento. Se você lê um livro, ali tem uma vida, tem uma história que vai lhe acompanhar por horas de leitura (e anos de impacto na sua forma de ver o mundo). O que o livro traz de retorno é muito perto do preço que você paga por ele. Já uma blusa, uma coisa de temporada, é um prazer que acaba muito rápido. Outro hábito que tenho, em vez de sair, é jantar em casa com os amigos: você troca experiências com intimidade. Muitas vezes, em um restaurante, estamos mais preocupados com a conta e com o tempo.

O dinheiro tem valor e sentido, assim como a sua vida, o seu tempo, os seus afetos. Manter uma forma de vida simples cultiva o valor e o sentido que existe nesses elementos.

Rosely Boschini é presidente da Editora Gente 

Fly Vagner: 'Precisamos viver dentro da nossa realidade'

Famoso ao se tornar dançarino da apresentadora Xuxa, Fly Vagner logo se transformou em coreógrafo da Rede Globo. Depois de juntar dinheiro e investir num negócio que não deu certo, se viu com dívidas superiores a R$ 80 mil. Sem orçamento para contratar ajuda profissional, começou a ler sobre finanças pessoais, criou uma planilha e mudou o rumo de sua vida. Além de colocar as contas em dia, virou consultor financeiro. Abaixo, as principais reflexões de Fly sobre o dinheiro. Vale a pena refletir com ele!

 

A minha relação com o dinheiro é tranquila. Sou totalmente controlado e já tenho o planejamento da minha vida para daqui a dez anos. Com o cenário econômico que o país vive, precisamos, cada vez mais, nos planejar.

Depois de tudo o que vivi, aprendi que a gente não deve gastar mais do que ganha. É difícil, mas não é impossível. Precisamos viver dentro da nossa realidade.

Se tivesse que dizer alguma coisa para alguém que, hoje, está endividado como eu já estive um dia, diria simplesmente: fique tranquilo. Coloque todas as suas dívidas em um papel, comece a negociar com os seus credores. Se você não está conseguindo negociar sozinho, procure ajuda na Defensoria Pública ou Procon da sua cidade.

Fly Vagner é coreógrafo e consultor financeiro. Seu site é http://flyvagner.com.br/

Faça uma simulação para juntar seu primeiro milhão ou quanto suas economias irão render.
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