Gente que a gente admira divide conosco pequenas lições sobre o uso do dinheiro.

TROCO

'A relação com o dinheiro não deve ser de escravidão'

Não vejo o dinheiro como um fim em si mesmo, mas como um instrumento que serve para nos dar conforto no presente e no futuro (se poupado).

Acredito que a relação com o dinheiro não deve ser de escravidão, esse não deve ser o único objetivo na vida.

A quem está passando por dificuldades financeiras, só tenho a dizer: tente cortar seus gastos o máximo que puder. Reavalie todas as despesas e elimine tudo que seja supérfluo. Pague as contas atrasadas e coloque a vida em dia. Assim que conseguir equalizar as despesas, tente sempre economizar um pouco por mês. O ideal é que essa economia seja de, no mínimo, entre 20% e 30% do que se ganha. Se não conseguir chegar a esse percentual, tente cortar os gastos ainda mais.

Marcelo Godke é sócio do escritório Godke Silva & Rocha Advogados

‘Não embarque em uma carreira movido pelo dinheiro’

Cursava a faculdade de Direito, mas era no pôquer que me sentia realizado. No começo era um hobby, mas procurei estudar bastante e ampliar meus conhecimentos sobre o esporte para que pudesse transformar o que era lazer em profissão. Foi o que aconteceu.

Por não conseguir mais conciliar ambas as atividades, decidi largar a faculdade e assumir de vez o pôquer como profissão. Hoje, ele é minha fonte de renda, não só com a participação e conquista em torneios nacionais e internacionais, como também com o negócio criado por mim no final de 2015: a Sensei Poker, escola virtual que ensina técnicas da modalidade esportiva.

A relação entre pôquer e dinheiro é direta, já que apostas e premiações são movimentadas com recursos financeiros. Nesse sentido, o gerenciamento da banca, como nós jogadores chamamos, ou das finanças, é muito importante e caracteriza um bom jogador. Não basta apenas ser bom em pôquer para ser um profissional, é preciso saber gerenciar essa banca para realmente ganhar dinheiro nesse esporte.

O esporte, aliás, mudou a minha visão não apenas sobre ganhos de dinheiro, mas também sobre pensar melhor nos mais diversos assuntos da vida. Como no pôquer, passei a pensar em cada ação. Seja para uma viagem, para um investimento ou para outra atividade, avalio estrategicamente a ação, peso prós e contras antes da tomada da decisão.

Seja em busca da melhor jogada, seja em busca da lucratividade ou da felicidade, o pôquer definitivamente me transformou. Fez mudar meu conceito sobre como lidar e decidir as coisas da vida.

Algumas dicas para quem pensa em se tornar profissional do pôquer e sobre dinheiro:

- Busque conhecimento, tenha paciência e vontade, muita vontade de aprender. Esse é o segredo para alcançar sucesso nessa carreira;

- Gerencie rigorosamente suas finanças. Como acontece no pôquer, fora dele também é preciso avaliar cada ação antes de tomar a decisão; é o que pode lhe garantir maior rentabilidade e um futuro mais tranquilo;

- Não embarque em uma carreira movido apenas pelo dinheiro. Afinal, passará boa parte de seu tempo no exercício da atividade escolhida. Opte por aquela que o deixe feliz. Isso faz total diferença!

Felipe Gonsalves Costa é jogador profissional de pôquer e fundador da Sensei Poker, escola virtual criada no final de 2015 para ensinar a modalidade esportiva (www.sensei.poker)

'Devemos sonhar os nossos sonhos e não os dos outros'

Sou de uma família de classe média. Uma família grande, mas unida. Meus pais não fizeram faculdade, mas se esforçaram para dar aos oito filhos a melhor educação particular que cabia no orçamento deles. Tivemos épocas muito difíceis financeiramente e, aos 14 anos, me senti incomodada com a escola particular em que estudava porque achava o ensino deficiente em relação ao valor pago. Então, escondida dos meus pais, me candidatei a uma vaga numa escola militar. Existia uma única vaga destinada à comunidade e eu queria muito estar numa escola de ponta, período integral e sem custos para os meus pais. Estudei de madrugada, nos fins de semana e nos intervalos das aulas até ser aprovada. Esse foi um dos meus primeiros sonhos realizados.

Sempre fui determinada e líder. Fui diretora do grêmio estudantil nessa escola, tirava boas notas e, com 17 anos, entrei em uma universidade federal. Aos 22 anos, após guardar dinheiro trabalhando em uma rede de restaurantes, abri minha primeira empresa, uma confecção infantil.  Esta era uma época muito difícil no Brasil, mas, desde então, com bastante coragem e resiliência, continuo empreendendo, concedendo empregos e pagando impostos.

Minha relação com o dinheiro sempre foi de muita responsabilidade. Nunca ganhei nada de graça ou fui esbanjadora, mas sou movida a desafios. E, às vezes, esses desafios são bem ousados e exigem coragem extra para atingir o alvo. Foi assim para abrir a primeira loja IL BARISTA.

O ano era 2003, vendi meu único imóvel, o apartamento em que morava com a minha família, para financiar o meu sonho.  Ou seja, o plano B era igual ao plano A: o negócio tinha que dar certo e tinha que dar certo o negócio.  Sonhei e arregacei as mangas. Fiz planos, cálculos e negociações. Não teve nada fácil, ainda mais trazendo um conceito novo para um produto tão 'commodity' como o café.  Mas aqui estou viva e forte!

Quero deixar uma dica e não um conselho:

Aprendi desde nova que devemos sonhar os nossos sonhos e não os dos outros. 

Separe uma parte do seu salário ou dos seus ganhos para financiar os seus sonhos, mas nunca sacrifique a sua educação ou a dos seus filhos. Para isso, não tem economia ou perdão financeiro.

Se permita gostar das melhores coisas, dos melhores lugares e dos melhores restaurantes, mas não viva uma vida ilusória, com dívida no banco ou com o cartão de crédito pendurado para poder patrocinar certos prazeres. Lute para tê-los e não para pagá-los sacrificando a sua paz e tranqüilidade.

Esse é o legado que deixo para os meus filhos.

Gelma Franco é publicitária, especialista em cafés e dona da rede IL Barista, boutique de café gourmet. Foi indicada ao Prêmio Mulher Empreendedora do Sebrae 2007.

 

 

'A falta de dinheiro nos faz amadurecer'

Dinheiro é um recurso importante para que se viva de forma digna, para poder oferecer alimentação, estudo, moradia e lazer para a família.

Ciente disso, não trabalho ou vivo pra ganhar dinheiro, mas busco sentido em tudo o que faço e o dinheiro vem como resultado. Para mim ele é meio e não fim.

A falta de dinheiro desestabiliza todas as áreas da vida, mas também nos faz amadurecer e nos ensina a valorizar as coisas certas. Cortar excessos e trabalhar arduamente nos transformam em pessoas melhores.

Luciana Lauretti é enfermeira e sócia da empresa de gestão em saúde AzimuteMed

Joana Inácio: 'Poupe: eventualidades aparecem'

Minha relação com o dinheiro nem sempre foi positiva. Trabalho desde os 16 anos no mercado financeiro, mas isso não me levou, por um bom tempo, a ser poupadora, muito pelo contrário. Quando você tem muito acesso a crédito é difícil controlar os impulsos de consumo, a gente se empolga.

Minha relação com o dinheiro mudou quando comecei a estabelecer metas como casa própria, especializações, casamento e etc. Agora, principalmente depois da maternidade, tenho com o dinheiro um relacionamento que pode ser chamado de adequado. Pesquiso muito antes de consumir, guardo dinheiro e, se não posso adquirir determinado bem, aguardo até que isso seja possível.

Como gerente de contas via muitos clientes cometerem erros. E uma coisa eu aprendi: Se você ganha por exemplo R$ X, não queira, de forma alguma, ter um padrão de vida de R$ X+Y. Isso é tiro no pé e dor de cabeça na certa. Existe a casa certa, o carro certo, as roupas e demais itens de consumo certos para o seu momento financeiro. Se você ganha R$ X, gaste no máximo 70% do valor, poupe: eventualidades aparecem. Hoje você ganha X, mas com certeza amanhã ganhará X+Y. Já vi muitas pessoas comprando primeiro e pensando em como pagar depois, só pra alcançar um desejo de consumo.

Acho inclusive que, em relação à maternidade e à paternidade, o planejamento financeiro é forte aliado. No intuito de fornecer o que existe de melhor para os filhos, muitas vezes nos excedemos nas contas. Criar um orçamento de quanto você pode gastar nos itens que antecedem a chegada do bebê ajuda e muito. As pessoas precisam respeitar seus orçamentos.

Sabemos que, em relação às despesas, à medida que as crianças crescem, as contas só mudam, mas continuam existindo. Por isso é importante não ter dívidas. Contar com a ajuda de alguém que entenda de enxoval, por exemplo, ajuda e muito a economizar no início. Controlar as contas pode parecer trabalhoso, ainda mais com filhos, mas, com o tempo e com muita disciplina, é possível manter o saldo bancário no azul, tendo uma vida financeira saudável, longe do estresse.

Joana Inácio é consultora financeira especializada no atendimento a pais. Seu site é o http://www.joanainacio.com.br/

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