Gente que a gente admira divide conosco pequenas lições sobre o uso do dinheiro.

TROCO

'O primeiro passo é encarar tudo de frente'

Preocupação com dinheiro é uma coisa e problema é outra. Ao entender isso, consegui ver que o que eu tenho são preocupações: como ganhar mais, como dar conta de tudo o que quero, como garantir o futuro da minha filha. Ao olhar para estas questões, vejo que são naturais e comuns, e assim consigo diminuir um pouco a neurose!

Já aprendi que dinheiro não aceita desaforo: quando você o trata mal, recebe o troco. Quando você dá a ele mais valor do que ele merece, sua vida vira um inferno, você nunca fica satisfeita. Quando você o trata de acordo com o nível de importância dele, as coisas ganham perspectiva. Você questiona o que precisa ser questionado e consegue manter todas as suas prioridades à vista.

O momento atual brasileiro não está fácil. Com mais de 11 milhões de desempregados, tem muita gente que precisa de orientação. Nessas horas, eu digo para a pessoa organizar suas contas. Entender quanto dinheiro gasta por mês, quanto tem guardado, quais são as dívidas e quanto consegue cortar. Quando você junta estas informações, você assume o controle da situação. Não saber todas essas respostas causa uma ansiedade enorme, e só de entender a sua situação financeira real, você consegue reduzir uma boa parte da tensão. Com estes números, você consegue montar um planejamento, criar uma rota para sair da dificuldade. O primeiro passo é encarar tudo de frente!

Carolina Ruhman Sandler é fundadora do site Finanças Femininas

'Coloque rótulos no dinheiro que você poupa'

Muitas vezes, depois de alguma conversa informal sobre finanças, algumas pessoas me dizem: "mas para você é fácil, você gosta de cuidar do seu dinheiro". Em silêncio, eu me pergunto: "mas será que alguém não gostaria de ter suas finanças organizadas e em um ciclo de prosperidade?" Na minha opinião, o importante é começar, experimentar! Tenho certeza que pouco a pouco o gosto e o orgulho pelo bom trabalho vão crescendo em cada um.

Um dos grandes motivadores no processo de cuidar do dinheiro é a conquista de algo que desejamos muito, e não precisa ser algo grande ou muito caro.

Na minha casa, com meus filhos de sete e quatro anos e meu marido, nós fazemos planos de viagens juntos, mesmo que ela esteja distante ou sem data marcada. Falamos sobre o destino, os passeios, o clima e sobre as comidas. Minha filha, que não gosta nem um pouco de provar alimentos novos, sempre se preocupa com o que ela vai comer no destino.

Esta é uma maneira de introduzir o assunto "dinheiro" em casa porque quando as crianças pedem para consumir algo que não vamos comprar, nós dizemos que vamos poupar este dinheiro para a viagem. É uma troca. Uma viagem custa muitas horas de trabalho.

Um dos nossos planos coletivos é o das Olimpíadas de Tóquio em 2020. Queremos ir em família e apresentar para as crianças a cultura asiática, os esportes e, principalmente, o clima de um evento mundial.

Meu conselho a quem quer começar a poupar ou poupar mais é: coloque rótulos no dinheiro que você poupa, que podem ser: Viagem, Aposentadoria, Sapatos especiais para a formatura, Curso no exterior, Jantar de Dia dos Namorados.

Tudo o que você poupar antes de consumir, não sairá do orçamento do mês, o que facilita o controle, tem gostinho especial de conquista, ajuda no exercício de continuar poupando e o mais importante: faz sua conta de investimentos cada vez maior e mais rentável.

Sucesso e prosperidade para todos nós!

Flávia Padoveze é organizadora financeira. Graduada em Hotelaria e Administração de Empresas com ênfase em Finanças, atuou em auditoria de multinacionais por três anos e em marketing de relacionamento. É autora do livro 'É da minha conta'.

'A riqueza cultural ninguém tira de mim'

Nasci em São Paulo, dentro de uma família de militar. Como todos sabem, militar no Brasil não vive de altos salários, pelo contrário, é preciso ter jogo de cintura para cumprir os compromissos do mês. Em casa não foi diferente. Meu pai me criou com os pés no chão e foi assim que despertou o meu interesse pelo empreendedorismo desde muito cedo.

O meu primeiro trabalho foi aos 16 anos. Queria minha independência financeira. Consegui um trabalho na rua XV de Novembro, no Centro de São Paulo. Como atendente, recebia um bom salário e gastava com viagens e trabalhos sociais.

Desde então, nunca mais parei. Contrariado pela minha escolha em cursar Jornalismo, meu pai não custeou minha faculdade. Foi então que aprendi num programa da Ana Maria Braga a fazer chocolate. Paguei o meu primeiro ano da faculdade vendendo trufas. Depois, consegui um trabalho na área e fui trilhar os caminhos da comunicação.

Circulei pela África, América Latina, Ásia, Europa, mas eu tinha um sonho de viver no Oriente Médio. Neste momento, eu vivia na Amazônia, ganhava um salário legal, mas não estava feliz. Resolvi que era hora de empreender novamente. Passei três anos planejando colocar um blog no ar. Fiz uma pesquisa e descobri que no segmento blog, seríamos o primeiro veículo de comunicação em língua portuguesa no Líbano. Com tudo planejado, faltava encontrar o momento certo para dar vida ao sonho. Teve uma mudança de chefia no meu trabalho, ele fez algumas mudanças, entre elas, no valor do meu rendimento mensal. Ao todo, foram quase oito meses sem receber salário, além dos direitos trabalhistas. Não pensei duas vezes, larguei tudo e fui viver em Beirute.

Foi a minha melhor escolha, apesar das inúmeras dificuldades encontradas. Afinal, ser pioneiro requer perseverança e otimismo. As dificuldade são inúmeras. A forma de negociar é bem diferente da nossa. Ganhar em dólar é muito bacana, mas você também gasta em dólar e é aí que o botão de alerta é aceso. Por outro lado, o Líbano me proporcionou entender o verdadeiro potencial comercial do Oriente Médio.

Bem, descobri muito cedo que ser independente é prazeroso, mas o custo é ainda maior. Ser solteira também é muito caro. Todos os meus compromissos são honrados com o resultado do seu trabalho. Não divido despesas como aluguel, alimentação, transporte, lazer, entre outros. Eu já ganhei muito dinheiro com o Jornalismo. Minha família me cobra por não ter investido em imóveis, em carro e tampouco ter uma boa conta bancária.

Acredito que o meu maior investimento é nas viagens que gosto de fazer. Hoje, por exemplo, trabalho focada em ganhar dinheiro para viajar e continuar com os meus trabalhos sociais. São duas coisas que não abro mão. Acredito que a verdadeira felicidade é poder fazer o que te causa paixão. Gasto tudo o que ganho com o que gosto. Sou criativa e estou sempre com novos projetos, que acabam me proporcionando uma forma de ganhar dinheiro para continuar vivendo feliz. Dinheiro acredito que nunca terei, mas minhas fotografias estão ali, documentando que eu fui muito feliz. Quer investimento melhor? Essa riqueza cultural ninguém tira de mim.

Lú Braga é jornalista e criadora do blog Na Segunda a Lú Começa

Marcus Nakagawa: 'Tem que arregaçar as mangas e seguir em frente'

A minha relação com dinheiro às vezes é muito conflituosa, mas descobri que ele não é a coisa mais importante da vida. Trabalhamos para ganhar dinheiro, mas não podemos ser escravos, temos que ter consciência de como e porque utilizar.

Assim, aprendi que não podemos viver sem ele, mas também não podemos viver só em função dele.

Acho que, em momentos de dificuldade, é necessário ter foco, entender o consumo das suas necessidades básicas e investir somente nelas. E trabalhar muito para reverter a situação. Não adianta ficar se lamentando ou reclamando. Tem que arregaçar as mangas e seguir em frente. O tempo passa e, com pensamento e energia positivos, a gente consegue tudo.

Trabalho com empreendedorismo e sempre digo para quem quer empreender que o ideal é fazer um bom planejamento e um plano de negócios robusto, para que todas as suas expectativas (pessoais e profissionais) estejam num papel e, de preferência, sejam discutidas com alguém que entenda do assunto. É importante conhecer como é o negócio na prática, fazer visitas, ver quanto se ganha, quanto se gasta e etc. Vivenciar a experiência antes é uma forma de diminuir o medo de fracassar. A maioria das pessoas que dizem querer abrir um bar ou um restaurante, por exemplo, nunca trabalhou em um. Neste caso, especificamente, converse com um amigo ou amiga que tenha um bar, ou se prontifique a trabalhar com ele um por um tempo. Mesmo que seja lavando pratos, servindo ou limpando as mesas. Com isso vivenciará toda a dinâmica do funcionamento do seu sonho.

Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor, de serviços de gestão integrada, e professor na graduação e no MBA da ESPM e da UNIP, além de consultor e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Seu site é o www.marcusnakagawa.com

'Quanto mais você ganha, mais você gasta'

Desde criança sou super conservadora com as finanças, sempre gostei de dinheiro! Gasto com bastante consciência, mas não deixo de consumir aquilo de que realmente gosto, como restaurantes, viagens e tênis de corrida.

Aprendi que, quanto mais você ganha, mais você gasta. Assim, é preciso ter cuidado para não se deslumbrar ou aumentar os custos fixos quando se tem uma receita variável. Ter reservas é super importante.

A quem está passando por dificuldades financeiras nesse momento, recomendo pegar uma caneta e um pedaço de papel para escrever todos os seus custos fixos e variáveis. Essa será a fotografia da sua vida financeira. Com certeza aí você descobrirá o que pode ser retirado e economizado.

Mônica Saccarelli é sócia da corretora Rico

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