Gente que a gente admira divide conosco pequenas lições sobre o uso do dinheiro.

'Cresci achando que o dinheiro era coisa do demônio'

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Sendo o mais velho de nove irmãos e tendo um pai alcoólatra, que faliu três vezes e morreu quando eu era muito jovem, herdei pobreza, dívidas e insegurança. Fui vítima também da formação religiosa. Cresci achando que os ricos e o dinheiro eram coisa do demônio e que a pobreza me colocava mais perto do céu.

Ao crescer e me deparar com a realidade da vida, abandonei todas essas crenças. Concluí que cada um deve cuidar de si, constituir suas reservas e prover sua aposentadoria, sem depender de favor de governo ou de família.

A vida me ensinou que a postura diante do dinheiro passa por dois pontos: habilidades para administrar as finanças pessoais e o condicionamento emocional diante do consumo. Aprendi que é importante adquirir conhecimentos mínimos de contabilidade, economia, finanças e investimentos, os quais ajudarão na iniciação à ciência do dinheiro.

Infelizmente, o sistema educacional ignora o assunto “dinheiro”. Uma criança passa 12 anos na Educação Básica e pouco aprende sobre comércio, tributos, contratos e finanças. Como sou formado em Contabilidade e Economia, pude me beneficiar do aprendizado a respeito.

O ser humano é resultado mais de suas emoções do que de suas habilidades técnicas. Nenhum conhecimento levará você a um determinado objetivo se suas emoções forem inadequadas para alcançar tal objetivo. Na relação com o dinheiro não é diferente. Nossa trajetória financeira se dá em três pontos: como ganhamos, como gastamos e como conservamos o dinheiro.

A maneira como cada um ganha, gasta e guarda dinheiro é resultado de uma combinação de emoções e habilidades. Emoções são traços da personalidade, habilidades são técnicas aprendidas com o estudo e a experiência.

Vale a pena investir tempo e dinheiro para trabalhar suas emoções, como forma de impedir que elas provoquem sofrimento. Emoções inadequadas sabotam qualquer habilidade técnica. Habilidades se aprendem, basta ler e frequentar cursos e seminários. Emoções fazem parte da personalidade e afastar aquelas que podem nos prejudicar requer humildade para se entregar a um processo de evolução mental e psicológica.

No caminho rumo à educação financeira, recomendo:

PASSO 1 – ESTUDE para expandir a sua inteligência financeira.

PASSO 2 – ORGANIZE AS SUAS FINANÇAS. A tarefa de gerenciar gastos exige método. É um erro sair cortando custos de qualquer jeito. Para um exame criterioso das despesas é necessário organizá-las e classifica-las em “despesas fixas” (aquelas que não dá para eliminar nem reduzir) e “despesas variáveis” (aquelas que dá para reduzir ou até mesmo eliminar).

PASSO 3 – ESTABELEÇA METAS DE POUPANÇA E GERENCIE OS GASTOS. Qualquer que seja a situação financeira da família é importante estabelecer metas de poupança e gerenciar os gastos. O orçamento é uma espécie de bússola que diz aonde a família quer chegar ao final de um período. A única forma de atingir uma meta de poupança é pôr as contas no papel e monitorar os gastos com base no orçamento projetado.

PASSO 4 – ENVOLVA TODOS OS MEMBROS DA FAMÍLIA. É grande o número de pessoas que não discutem as questões financeiras com a família. Muitos pais trocam algumas palavras com os filhos sobre compras e mesada e não vão além disso. Raros são os que sentam com todos e deixam claro qual é a renda da família, quais são os gastos e como devem gerenciar suas despesas. Compartilhar as decisões financeiras com os filhos é recomendável. É um erro impor comportamento financeiro aos filhos sem explicar os detalhes e montar planos em conjunto.

José Pio Martins é economista e reitor da Universidade Positivo (UP), de Curitiba, no Paraná

 

Comentários  

 
0 #3 Melissa 07-10-2016 16:34
Muito bom
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+1 #2 Fabio 05-10-2016 16:07
Achei excelente.
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+1 #1 Marta 05-10-2016 12:02
Muito bom !
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