Esse espaço é seu. Mande para nós as suas histórias, lições, aprendizados, causos relacionados ao uso do dinheiro. Serão publicadas, com todo o carinho, aqui.

DUAS MOEDAS DE PROSA

'Sei para onde vai meu dinheiro'

Depois de 44 anos, aprendi.

Um dia deu um estalo! Não aguento mais! Chega de sofrer dessa forma! Tem alguma coisa muito errada. Isso aconteceu há dois anos.

A situação era a seguinte: meu ganho mensal era de um pouco mais de um salário mínimo. Meus gastos eram de tudo o que não era meu. No cartão de crédito o saldo devedor era quase o dobro do valor que eu ganhava, eu também estava devendo para a família. Tudo era no prazo, comprava carga para o celular, lanche escolar, tudo no mundo do cartão. Mas quem não paga tudo, perde tudo. Meu problema de noites mal dormidas e taquicardia era: meu cartão.

Comecei então a vasculhar sites de finanças (maravilhada!!!) e descobri o passo a passo que deveria trilhar. Acreditem! Anotava o que gastava, mas passava por cima de tudo que era barato. E isso tem importância. Aprendi, então, que se deve anotar TUDO que entra (ganhos) e que sai (gastos). A partir daí analisei tudo o que podia cortar e, o mais importante de todas as regras, que vou levar até meu último suspiro, tudo o que podia comprar.

Hoje não compro nada além do necessário, nada pra ficar guardado (estou aprendendo também sobre organização de ambientes). Uso tudo que tenho.

E o cartão? Fiquei dois meses sem pagar fatura (porque não tinha dinheiro mesmo), mas liguei na Central e expliquei que precisaria de dois a três meses para sintonizar minha vida (recebi várias cobranças nesse período) e CANCELEI meu amado cartão. Eles negociaram de acordo com o que podia cumprir e paguei todas as parcelas em 16 vezes. Aleluia!!!

Hoje me encontro ainda em dívidas, pois devo à minha família. Por outro lado, minha planilha de tudo que entra e sai está em dia. Sei pra onde vai meu dinheiro.

Recebi parte do 13º salário e tenho planos: como não tenho mais cartão, já guardei parte do que vou gastar com os livros escolares do meu filho. Também vou vender os livros usados desse ano para completar. Com outra parte do dinheiro vou comprar presentes pra quem amo. Há uns cinco meses venho juntando uma quantia pra comprar um móvel novo numa loja de decoração dos sonhos. Vou ter a grana agora.

Objetivo para 2014? Quitar minha dívida familiar e ser uma poupadora. Como? Gastando menos do que ganho. Simples assim...

Kátia Rodriguês de Souza - recepcionista de uma gráfica

O vazio das compras desnecessárias

Eu sofro com um grande dilema: diante de alguma angústia, quando estou com grana, torro tudo em compras, muitas vezes desnecessárias para o momento. Não que eu não vá usar aquilo que comprei, é só que essas aquisições não eram prioridades! 

Um exemplo: se tenho que comprar algo para casa e estou me sentindo "vazia" ou com a sensação de "perda de alguém", vou lá e compro Melissas, vestidos e maquiagens (embora eu use muita maquiagem, sou maquiadora). São itens que poderiam ser adquiridos em outro momento, ou pensando melhor, nem ter sido levados para casa. Com isso, muitas vezes, vem um sentimento de vazio e culpa muito maiores do que o sentimento de conforto sentido na hora da compra. 

Uma outra dificuldade é a de colocar os meus gastos no papel e me organizar efetivamente em relação às finanças. Mas tenho o meu objetivo e quero muito chegar lá. 

Annie Donato é consultora de moda, maquiadora e visagista 

 

Aprendendo a poupar e a gastar

Eu sempre me perguntava como as pessoas conseguiam poupar, achando que para conseguir isso elas deixavam de gastar. Aos poucos fui entendendo que é impossível deixar de gastar e tive que aprender a melhor maneira de usar o meu dinheirinho. Não fiz um curso e na época sequer existia internet e sites com dicas. "Economia" era assunto de gente importante, ricos, ricaços, milionários!!!

Para conseguir poupar fui adequando meus gastos e adotando algumas medidas intuitivamente. Comprava à vista aquilo que seria imediatamente consumido (comida, viagem, happy hour, cinema). Comprava a prazo (cartão ou cheque) aquilo que duraria além do vencimento das parcelas (roupas, eletrodomésticos, sapatos, acessórios, alguns cosméticos). Controlava o limite do cartão, para efetuar o pagamento total, nunca pagar o valor mínimo.

Nós mulheres adoramos uma promoção, certo? Sim, o erro está em achar que a bendita promoção é imperdível. Adotei o hábito de só comprar roupas, sapatos ou acessórios se realmente necessito daquela peça.

Com estas atitudes aprendi a administrar o dinheiro durante o mês e aprendi a dizer não, principalmente nas situações de pagamento à vista, como viagens com amigos, happy hour, cinema. No começo foi difícil, mas depois percebi que sobrava um dinheirinho do meu salário e essa sobra me permitia negociar descontos em compras, já que eu podia pagar à vista. Logo mais, já não precisava dizer não, eu sempre tinha na poupança algo para "investir" no meu lazer.

Fui refinando, criei uma planilha e coloquei ali todos os gastos. Consegui visualizar o que era importante, aquilo que não podia ficar sem pagar de jeito nenhum (aluguel, IPTU, mensalidade de cursos, convênio médico) e também onde estava "vazando", no que eu gastava mais e precisava começar a diminuir esse gasto (luz, água, telefone, compras diversas). Bem, depois aprendi que na língua "economês" se tratavam dos custos fixos e variáveis!!

Outro ponto importante foi a organização: verifiquei datas de vencimentos e passei a agendá-los, alguns até solicitei alteração, concentrando todos para datas próximas. Isso evitou esquecimentos e consequentemente parei de pagar juros por atrasos.

Confesso que tenho quase TOC para organização e passei até a observar quanto tempo duram meus cosméticos, por exemplo!!! Mas percebi que não foi uma loucura, ainda não é caso de tratamento! Explico: nesse super controle descobri que o protetor solar importado recomendado pela dermatologista durava três meses, assim quando viajei e fui comprá-lo, falei para o vendedor que queria quatro, ganhei um desconto e paguei apenas três!

Com disciplina e organização consegui poupar sem deixar de gastar e hoje percebo que consigo fazer muito mais com meu dinheiro.

Priscilla Cerqueira

A árvore do dinheiro

 
Eu quero uma árvore do dinheiro. Bem verde e bem grande, que nem eu acho que deve ter na casa de certas pessoas que eu conheço. 
 
Ou alguém me explica como um pai de família pode perder o emprego e  não ver a situação financeira mudar em nada, muito pelo contrário? Não são pessoas muito organizadas e que sempre fizeram poupança, não, antes fossem, aí seriam dignas de elogios, mas gente que sempre viu pingar na conta um a mais que, desconfio, não foi obtido de forma honesta. 
 
Eu mesma não sou nenhum grande exemplo de poupadora, queria conseguir gastar menos e guardar mais, mas tenho orgulho da minha honestidade, de ter conseguido tudo o que eu consegui até hoje com muito trabalho. Na minha casa, ninguém nunca vai pensar que tem uma árvore do dinheiro. 
 
Eliana Pereira é assistente social 

Quando o caro sai mais barato

Tem coisas com as quais, não tem jeito, não dá para economizar. Para mim é roupa de ginástica – coisa que eu concluí na marra, depois de muito tempo comprando coisa ruim. Por ser uma roupa para bater, suar e botar para lavar com um uso apenas, sempre acreditei que não merecia grandes investimentos. E, nessas, fui comprando os itens mais vagabundos. Entrava na Marisa e gastava R$ 100 em várias peças, entre shorts e tops. Passados seis meses, um estava furado, o outro com cara de desbotado ou até esgarçado. Uma vez eu estava alongando em casa mesmo quando o namorado chamou minha atenção: mozão, tá furado! Vexame! Imagine se tivesse sido na academia?

Só depois de várias vezes fazendo isso, e muitos reais depois, é que eu me dei conta de que o barato sai mesmo caro. Ao menos nesse quesito. Um belo dia eu tomei vergonha na cara e fui até uma loja carésima de fitness, dessas que só entram malhadoras madames, e gastei R$ 200 em apenas duas peças (quase morri do coração!). Mas foi a melhor coisa que eu fiz. Elas estão durando que é uma maravilha. E são boas de verdade. Antes uma peça que é cara, mas que certamente ter vida longa que pagar R$ 40 e passar adiante na próxima temporada.

Débora Rubin é jornalista e escritora

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