Esse espaço é seu. Mande para nós as suas histórias, lições, aprendizados, causos relacionados ao uso do dinheiro. Serão publicadas, com todo o carinho, aqui.

DUAS MOEDAS DE PROSA

Consumo consciente e auto-estima

Lendo um post aqui no Poupadoras sobre o fato de que 52% dos brasileiros compram sem pensar, eu me arrisco a concluir que as mulheres compram não só sem pensar, mas também quando estão tristes ou querendo elevar a auto-estima. Assim, terminam gastando dinheiro à toa em peças de roupas, sapatos até mesmo no cabeleireiro. Muitas se arrependem ao perceber que podiam ter investido numa peça/sapato ou transformação realmente eficaz ao seu tipo de personalidade.

Sou consultora de moda, maquiadora e visagista. Faço com amor consultorias e prego o consumo consciente: ninguém precisa gastar muito para estar bem vestido. Pelo contrário, é preciso apenas saber fazer as escolhas certas para o seu tipo físico e a sua personalidade.

Essa lógica se aplica também aos cosméticos, principalmente maquiagem ou dermocosméticos, mas nem todos os itens precisam ser caríssimos. Se você não é maquiadora, não tem necessidade de ter milhões de cores de sombras, todas de marcas importadas. Elas vencem, afinal, e seu investimento foi pro lixo!

É isso que eu me dedico a ensinar às mulheres quando faço consultorias e aulas de automaquiagem. Hoje em dia o segredo está em saber usar o dinheiro sabiamente e fazer boas escolhas, saber identificar porque estamos comprando isso ou aquilo: é realmente uma necessidade ou procuramos preencher um vazio? Nessas horas, sair sem cartão ou com dinheiro contado é uma boa opção!

Dou mais dicas na minha página no Facebook: https://www.facebook.com/AtelierAnnieDonato?ref=hl. Meus contatos são: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. e (11) 98434 8426.

Beijos a todos e vamos aprender a nos valorizar!

Annie Donato é consultora de moda, maquiadora e visagista

Um apartamento novo e a descoberta de um vício

Eu estava só adiantada para um almoço e, quando me dei conta, já saracoteava feliz da vida dentro da lojinha de bagulhos, olhando cachepôs para vasos, assadeiras de silicone, escorredores de talheres, uma jarra de plástico com bico grande per-fei-ta para regar as plantas e ainda tinha um movelzinho colorido por um terço do preço que eu tinha visto uns similares outro dia com minha amiga Camila Pratti.

Respirei fundo, lembrei que não precisava de nada urgente - e que a conta no banco estava meio russa por conta de pagamentos de frilas atrasados - e saí. No caminho, me veio a estranha consciência de que eu tinha me tornado uma completa viciada em lojas de artigos para casa. E também o título provisório de uma possível, mas improvável, autobiografia que um dia eu viesse a escrever. "R$1,99: como me transformei na louca das lojas de tranqueiras para casa e jardins."

Esta, digamos, compulsão não apareceu do nada. Pouco menos de um ano atrás, me separei e precisei reorganizar minha vida inteira, afinal, fui eu que precisei mudar de casa e remobiliar a minha nova morada. Lascou-se. Era questão de tempo até eu ir morar na meu apartamento, que comprei e pago o financiamento junto com a minha irmã (conto mais sobre isso aqui). E, se por um lado eu teria de desembolsar uma bica pra mobiliar tudo, por outro eu tinha a chance de fazer isso de novo. OBA! Eu me lembro do quanto adorei escolher cada coisa quando estava montando a casa em que morei por cinco anos com meu ex-marido.

Dessa vez, tinha um detalhe: eu iria morar sozinha. Meu corpo, minhas regras, saca? Ninguém pra discutir sobre a cor do sofá, a qualidade dos pratos ou se os lençóis deviam ser de algodão ou não. Também foi muito bom poder montar um sonho junto com alguém, mas agora eu poderia exercitar meu egocentrismo lindamente. Até teve quem desse opinião, mas se eu não concordasse eu podia simplesmente falar. “Ok, você não vai morar lá comigo, nem dividir as contas, então dane-se”, hehehe. Piadas à parte, não foi fácil e nem eu sou grossa desse jeito - pelo menos não sempre. É que também aprendi que levar a vida com bom humor e rir da gente mesmo resolve muita, mas muita coisa.

Fato é que eu fiz muita conta pra economizar e fui atrás de muitas possibilidades para conseguir minha casa linda como eu sempre quis, mas sem abrir falência. Hoje, tudo está como eu sonhei, inclusive com a varanda cheia de plantas, temperinhos e flores. O único problema é que, como minha mãe, acho que qualquer espaço para uma pequena jardineira é um hectare de terra e estou sempre comprando vaso, terra, mudas e sementes sem nem mesmo ter onde por. Faz parte...Separei algumas dicas que me foram muito valiosas nesses meses de “minha casa, minha vida”. E algumas fotos do meu cantinho. Espero que seja útil!

- Descubra descontos - muitas marcas, como a Brastemp e a Electrolux, e lojas, como o Walmart, têm descontos especiais para funcionários e pessoas que eles indiquem ou convênios com bancos, cartões de crédito e empresas. Eu consegui comprar eletrodomésticos com descontos com a ajuda da querida Suzana Pires, que pediu para ex-colegas me indicarem em sites da Brastemp e Electrolux para comprar com descontos. Sei que a Editora Abril, a Editora Globo, o Banco do Brasil e o Santander também dão descontos para seus funcionários e correntistas. vale sempre checar e comparar, pois nem sempre vale a pena.

- Pense no que pode ser "menos bom" - alguns móveis, como o meu rack e uma mesinha de canto, comprei no Submarino. Ele não é da melhor qualidade do mundo (palavra de filha de marceneiro), mas era descolex e o preço é bom por ser feito em série. Vale saber o que mais importa em cada peça: minha escrivaninha é feita pelo meu pai, para ser de qualidade, confortável e durável, pois eu trabalho em casa. Já o rack, eu preferi não investir tanto para, de repente, poder trocar sem drama no futuro.

- Cadastre-se no Westwing, Forma Fina e sites de móveis de que gosta - comprei um zilhão de coisas nesses sites. Eles fazem campanhas com descontos em coisas fofas e, em geral, com design e vale a pena, embora demore um pouco pra chegar. Minhas cadeiras custaram R$ 100 cada no Westwing, uma verdadeira pechincha.

- Vintage sem ser vulgar - veja o que você pode usar que está parado na casa de alguém. A mesinha que está na minha varanda era da casa da minha vó estava meio parada nos meus pais e foi reformada talentosamente pela minha irmã Camila. A penteadeira anos 50, também da minha vó (foto à esquerda), que estava no quarto da minha irmã e era minha paixão, virou buffet na minha sala depois de reformada com um monte de amor e carinho pelo meu pai e pela minha mãe. E eu aceitei a doação da cama box da minha irmã de alma Fernanda Amatuzzi. A cama estava parada e hoje me proporciona lindos sonhos bem econômicos. Ah, meus copos básicos são de requeijão Aviação, uma lindura.

- Entre em todas as lojas de R$ 1,99 que você vir pela frente - ah, finalmente elas! Amigos, tem de tudo nesses paraísos: tapete pra cozinha, coisas pra lavanderia, potes, vasos, tu-do. Eu amo, sempre amei. Você resolve sua casa gastando pouco e, sabendo escolher, com muito estilo. Além das tradicionais, não deixe de ir a Daiso, a loja de tralhas japonesa onde tudo custa R$ 6,99. É um verdadeiro paraDAISO, como bem definiu outra amiga, a Flavia Campanerut. Eu não saio de lá sem menos de 3 itens… Em uma visita recente, até a anticonsumista Fernanda Carpegiani se rendeu. E segure seu instinto de arrumação e se joga nas Lojas Mel. Tem de tudo, mesmo.

Depois disso tudo, não sei se um dia vou conseguir passar de novo em frente a uma lojinha de R$1,99 sem entrar. Mas e daí, né? :-)


Cíntia Marcucci é jornalista freelancer. Tem 34 anos, psicografa o que sua lombriga Genoveva pensa no blog Quem Tem Boca Vai e costuma ser chamada para dar conselhos de organização financeira para os amigos.

Felicidade e poupança: uma foi feita para a outra

O reconhecido professor de Finanças Aswath Damondaran, da Universidade de Nova York, afirma que não existe fórmula de sucesso para os investidores pessoa física. Ele defende que "devemos investir no que nos faz feliz".

A afirmação, aparentemente "doida", e que faz parte de uma entrevista publicada no jornal Valor Econômico, em 20 de março de 2014, tem sentido! Mais sentido do que a gente pode imaginar.

Concordo com ele. Entendo que, assim como não há regra para ganhar dinheiro com a compra de ações em bolsa, também não há receita de bolo para se poupar. Mas, uma certeza, que tem me cooptado cada vez mais, e acaba tendo tudo a ver com ter (ou não) poupança, é a seguinte: temos que ganhar dinheiro trabalhando com o que nos faz feliz!

Olha só... De repente, a expressão do acadêmico se repete no meu humilde texto. Será que somos dois loucos? Eu (em primeiro lugar) e ele (apegado na teoria de estudos pesquisas)?

Particularmente, acho que não. E, a resposta passa pelo raciocínio de que quando trabalhamos com algo que gostamos muito, temos mais chances de crescer profissionalmente, com isso ganhar melhor e obter sucesso financeiro.

Além disso – e defendo que esse é o ponto principal -, quando a gente se realiza na maior parte do tempo, ou seja, no trabalho (ao qual dedicamos pelo menos oito horas diárias), menos frustrações temos para transformar em vontade de gastar com bobagens, só porque esse devaneio traz alento à tristeza que sentimos diariamente por não nos dedicarmos ao que realmente nos faz feliz...

Que coisa, né? É assustador imaginar que a falta de poupança tem a ver com a falta de realização profissional, mas aprendi nos últimos meses, pelo convívio com gente de toda característica que se pode imaginar... rico, pobre, enforcado da "middle class". E, o fato é que passei a acreditar sinceramente que o verdadeiro poupador é, independentemente da classe social, a pessoa que é feliz!

Enfim, entendo que o assunto merece, pelo menos, uma breve reflexão. E, quem sabe, alguma mudança no médio prazo – de forma planejada, por favor, pois não quero ser acusada pela bancarrota de ninguém que deu uma de louco (esse sim, de verdade) e jogou tudo para o alto só porque descobriu que trabalha sem a devida satisfação que a poupança merece!

Juliana de Moraes – empreendedora, muito aprendiz e alguém que se considera feliz

O empreendedor da marcenaria

Um menino de uns 13 anos entra no banheiro do trabalho com um monte de "figurinhas" na mão e um boné pra trás. Estou escovando os dentes, ao lado de outro funcionário, e fecho a cara, pois não sou muito fã de adolescentes, muito menos de pré-adolescentes. O menino entra e já quase deixa aquele monte de "figurinhas" caírem na pia. Que tontinho, penso.

Sigo escovando os dentes em paz com os meus pensamentos. O menino termina de lavar as mãos, pede licença para pegar papel e secá-las. E, um segundo antes de sair pela porta, estende a mão e me dá uma das "figurinhas" dele. Faz o mesmo com o colega ao meu lado.

Ao entregar, diz: "Se precisarem de armários ou móveis...". Olho a minha figurinha: R****** Marcenaria está escrito no cartão comercial que o menino de 13 anos me entregou. Na hora, me dei conta que a empresa em que trabalho, que está em plena reforma, está colocando armários na recepção. O menino certamente é filho do marceneiro que trabalha nos móveis. E, diante de dois potenciais clientes, dentro de um banheiro, não pensou duas vezes e fez a sua propaganda.

Comento, atônito, com o colega: "Caramba, se tivesse esse toque empreendedor com 13 anos..." Ele concorda. Volto para minha mesa, muito trabalho me espera...

Fabio Saraiva é jornalista

Compartilhando para poupar

Minha irmã e eu vira e mexe estamos compartilhando algo, seja alguma coisa só dela ou só minha. Às vezes tenho alguns dissabores, principalmente quando ela é individualista. Por exemplo: sempre que uso algo dela, em seguida ela arruma um defeito no objeto e a culpada sou eu... Aí digo que nunca mais pego nada dela, mas isso não acontece, afinal, ela também está sempre pegando alguma coisinha minha. Já que compartilhamos o que uma só adquiriu, por que não compartilhar também o pagamento?

Assim, quando uma quer algo e não está podendo extrapolar o orçamento, sugere logo que possamos comprar em parceria. Tem dado certo. O verão chegou com tudo em Vitória, no Espírito Santo, onde moramos, e, com ele, as camisas de trabalho ficaram excluídas do dia a dia. Então, precisávamos de blusas/camisetas frescas, mas que também nos deixassem bem arrumadas, logo o custo não é baixo. Além disso, pela necessidade de ter várias peças, decidimos comprar algumas camisas finas compartilhadas para irmos trabalhar. Até o momento, nada a reclamar. A não ser do calor mesmo, que está cada dia pior. :)

Bruna Angeli é encarregada financeira

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