Esse espaço é seu. Mande para nós as suas histórias, lições, aprendizados, causos relacionados ao uso do dinheiro. Serão publicadas, com todo o carinho, aqui.

DUAS MOEDAS DE PROSA

Vida de frila com direito a férias

Delícias de ser contratada em regime formal: férias pagas, 13º, FGTS e, às vezes, até aquele bônus anual de participação em lucros e resultados. Maravilhas de ser freelancer ou autônoma: ser seu próprio chefe, não se preocupar com picuinhas entre colegas de trabalho, organizar o seu tempo como você bem entender.

Ou seja, sempre que alguém decide ou não seguir na vida de frila, o que mais pesa é a questão da grana. É ter de correr atrás para fazer o salário, não saber ao certo quando vai receber, ter de lidar com prazos e trabalhos que se encavalam e um monte de altos e baixos.

Mas uma vez que você se organiza e passa a ser uma pessoa Living La Frila Lôca mesmo, dá para pagar as contas com sossego e até mesmo ter férias pagas e uma espécie de 13º.

Não, não é fácil. Tive duas encarnações como frila, a primeira entre 2004 e 2010 e a segunda, que começou depois de eu ter sido demitida em março do ano passado, segue até hoje e vai muito bem, obrigada. E, na primeira, eu já juntava dinheiro (sempre fui dessas), mas meio que "de qualquer jeito". Depois que eu entendi a maravilha de sair de férias pagas (tive isso uma vez na vida inteira, em outras situações só recebi férias vencidas ao sair), resolvi que ia fazer isso por mim também. E tá dando certo. A diferença é que tenho duas poupanças: uma geral, para sabe-se lá o quê, na qual coloco dinheiro quando sobre ou quando faço um trabalho extra, e outra específica para as férias.

O que você precisa pensar é que vai trabalhar durante 11 meses em um ano e precisa ganhar o equivalente a 13 salários (os 11 que vc trabalha, mais um do mês de férias, mais um de 13º). A partir disso, você vai definir um X que precisa colocar na poupança todos os meses para ter direito a isso. Com exemplos fica mais fácil: vamos supor que seu salário médio seja de R$ 4 mil. Você vai precisar, além dos R$ 4 mil mensais, de mais R$ 8 mil para ter férias pagas e o salário extra. Ou seja, você precisa colocar na poupança cerca de R$ 730 por mês (R$ 8 mil divididos por 11 meses de trabalho, mas você pode ser mais modesto e pensar em metade desses valores, que já são um bom adianto nos seus planos. Faça o que achar que consegue, mas comece a fazer).

No fundo, não é nada muito diferente do que você teria de descontos se o seu salário bruto fosse de R$ 4 mil em uma empresa nos esquemas tradicionais. Claro que é muito mais difícil ter a disciplina de fazer isso por você mesmo, eu também vivo me enrolando. Mas a partir do momento que você tem um cálculo na cabeça, pode encarar isso como uma conta a pagar. Ou pagar uma conta mesmo. Eu, por exemplo, descontei já do valor que ia para a poupança as parcelas da passagem de avião que caíam no cartão de crédito. E entre julho e agosto vou tranquila passear sabendo que tenho dinheiro para pagar as contas numa boa. :-)

Cíntia Marcucci é jornalista freelancer. Tem 35 anos, psicografa o que sua lombriga Genoveva pensa no blog Quem Tem Boca Vai e costuma ser chamada para dar conselhos de organização financeira para os amigos

Tijolo por tijolo

Dinheiro, pra mim, é necessidade, nunca um tormento. Aprendi a lidar com ele pela dificuldade. Desde cedo ouvi minha mãe falar sobre dinheiro e acompanhava o perrengue mensal das contas de casa. Minha mãe sempre foi boa administradora, mesmo sem estudo e com a vida apertada que meus pais tinham. Eu sabia, por exemplo, que eu não podia pedir nada para eles. Presente de Natal, ovo de Páscoa, essas coisas não existiam para mim. Ainda assim, tive uma vida melhor que a dos meus irmãos (sou a caçula de oito). Vivi na pobreza, mas nunca na miséria.

Também tive que correr atrás de tudo muito cedo porque engravidei quando era adolescente. Já naquela época, percebi que não precisava ser mesquinha para conseguir ter as coisas. Mas também não podia ser mão aberta. Outra coisa que me dei conta rapidamente é que eu não sou do tipo que pode ter uma vida instável, prefiro ganhar um salário razoável, mas fixo, a ganhar muito em um mês e nada no outro.

Sempre encaixei a vida dentro do que ganhava. Se tirava R$ 500 por mês, vivia com R$ 500. E assim foi conforme o salário melhorava. Para conseguir ter as coisas que eu tenho hoje, foi preciso um bocado de organização e paciência. O ponto de partida para se comprar algo para o qual não temos o montante é ter uma reserva na poupança, pequena que seja, para dar de entrada, e reservar uma parte do salário para as prestações. No meu caso, que sou funcionária CLT, sei que terei três entradas extras de dinheiro no ano: a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), férias e 13°. Me organizo para usá-las como prestação também. Quando não estou com uma compra grande em andamento, guardo esse extra na poupança. E, quando vejo necessidade, pego uma quantia emprestada da cooperativa da empresa. De banco, nunca.

Foi assim que eu realizei grandes sonhos, como construir a minha própria casa, trocar de carro a cada quatro ou cinco anos, me formar na faculdade ao mesmo tempo em que eu formava meus dois filhos (hoje adultos e independentes) e, mais recentemente, viajar para lugares que eu sempre quis conhecer – ao lado do meu marido que, ainda bem, pensa muito parecido comigo sobre finanças.

É assim, um passo de cada vez. Quando a gente vê, já tem tudo o que desejava e pode se dar pequenos luxos que nunca imaginou ter.

Cláudia Maria Fernandes é encarregada administrativa comercial

Quanto mais erros, mais custos

Um trabalho de arquitetura bem desenvolvido corresponde a um estudo feito especificamente para cada caso, levando em consideração as preferências estéticas do cliente e a melhor solução de custo e benefício, respeitando a verba reservada para toda a obra.

Um ambiente ou uma residência que foi resultante de um bom projeto agrega valor ao imóvel na hora da venda. Mas isso, claro, se o arquiteto contratado tiver boas referências, se for alguém capaz de salvar a sua vida e não te matar de raiva.

Muitas vezes, nos sentimos bem por simplesmente entrar em determinado local. Provavelmente, esse espaço foi pensado por um arquiteto e tem a luminosidade adequada, boa ventilação, um estudo de cores bem feito, ambientação equilibrada da mobília e todos os demais cuidados com os detalhes.

Muitas pessoas sem experiência alguma na área se iludem achando que é fácil tocar uma obra. E esquecem que reformar um banheiro é tão complicado quanto reformar uma casa, o que muda é a proporção dos problemas.

Imagine que você está reformando o seu banheiro e dando um "tapinha" na sala ao mesmo tempo. Por falta de coordenação dos trabalhos, o pedreiro que você contratou acaba fazendo o sinteco da sala antes de terminar o toalete. As chances de cair areia e cimento no piso, por exemplo, são grandes, danificando uma etapa que teria que ficar para depois. Com um gerenciamento das tarefas, sob os cuidados de um profissional da área, esse tipo de coisa não acontece, evitando retrabalho.

Vale lembrar: o custo de uma obra está diretamente ligado ao tempo de trabalho envolvido nela. Quanto mais erros, mais custos. Má administração, nesse caso, é algo que pode sair caro. Muito caro.

Manuela Marques é arquiteta e trabalha na capital paulista. Seu site é o http://www.manuelamarques.com/

'Todos deveriam valorizar seus talentos, se dar esse direito'

Você tem algum talento além da sua vocação profissional? Já pensou em usá-lo para ganhar um dinheiro extra? A administradora de empresas Mariana Paschoal sim. No depoimento abaixo, ela divide a sua experiência conosco.

Sempre tive paixão por cozinhar, sou uma grande aventureira nesse quesito. Há três anos comecei a fazer lanches saudáveis para compor a lancheira do meu filho. Da minha cozinha saem pães fofos de diversos formatos, cupcakes simples e sem melecas. Tudo isso sem corantes, conservantes e gorduras trans. O resultado foi uma mãe feliz e um filho bem alimentado.

Com o tempo comecei a pensar na possibilidade de montar um negócio. E passei a testar a aceitação dos meus quitutes e a minha habilidade como vendedora (risos!). Gostei da coisa.

Atualmente, trabalho o dia inteiro e chego tarde em casa. O tempo que tenho para a cozinha é entre a novela das nove e o início da madrugada. Durmo tarde, mas feliz e relaxada.

Tenho prazer de ver as minhas produções fazendo sucesso na escola do meu filho e no escritório. E recomendo a experiência, todos deveriam valorizar seus talentos, se dar esse direito.

Mariana Paschoal é a proprietária da marca Eu Q Fiz, de pães, doces, bolos e outras gostosuras. Seus contatos são: (11) 2545-5542/ 98305-6545 e https://www.facebook.com/euqfizdelicias?fref=ts

'Basta fazer sobrar um pouco todo mês'

Cuidar bem do dinheiro é algo simples. Basta se organizar e fazer sobrar um pouco no final do mês. É isso que procuro fazer. Pago as contas e depois reservo uma parte para a poupança. Eu venho fazendo isso há vários anos e graças a essa organização financeira, eu e minha família já conseguimos realizar vários dos nossos sonhos, como ter uma casa, um carro, uma piscina em casa e tranquilidade.

Outra coisa que faço, para usar melhor o meu dinheiro,  é barganhar pelo melhor preço nas compras. Quase sempre consigo um desconto já que pago à vista. Mas se o preço à vista é igual ao parcelado, então parcelo porque assim aquele dinheiro fica rendendo ou sobra para aplicar em outra compra.

Aprendi isso com o meu marido. Ele nunca foi gastador, sempre economizou e hoje faço igual a ele. Quando eu era solteira chegava a gastar todo o meu salário com roupas. As donas de loja me adoravam!

Hoje eu procuro passar essa educação financeira também para os meus filhos. Para a minha filha adolescente, dou um dinheirinho por semana, com o qual ela precisa comprar o lanche da escola e fazer sobrar. Ela normalmente não abre mão de guardar pelo menos uma parte desse dinheirinho e com ele faz  planos para o futuro.  Acho que os estamos educando para serem poupadores.

É preciso ter equilíbrio na relação com o dinheiro. O fato de eu ser poupadora não significa que eu compre sempre o mais barato. Ao contrário, gosto de produtos de qualidade. Não abro mão de uma boa decoração em casa, de perfumes importados e roupas bonitas. Mas consigo fazer isso porque poupo e não gasto tudo em bobagens. Ser poupadora não é ser pão dura.

 

Nara Angélica

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