Esse espaço é seu. Mande para nós as suas histórias, lições, aprendizados, causos relacionados ao uso do dinheiro. Serão publicadas, com todo o carinho, aqui.

DUAS MOEDAS DE PROSA

Apagando o incêndio do cartão de crédito

Aos 34 anos, não tenho cartão de crédito. Causa estranheza um jovem (tá, nem tão jovem assim...) não ter um, eu sei. Mas, por anos, eu tive um cartão. Ou uma arma, como queiram. Os gastos eram consideráveis, a tal bola de neve crescia e eu trabalhava já com uma dívida garantida para o dia do pagamento. E que dívida!

Tinha comigo a falsa crença de que vivia bem, de que aproveitava os momentos da vida e que depois dava um jeitinho de pagar a fatura. Pior: houve momentos em que paguei parte da fatura. Pior ainda: já até saquei dinheiro via cartão, para usar no dia e pagar na fatura seguinte.

Claro que os juros eram altíssimos. Ainda assim, não me importava tanto com isso. Achava normal ter lá uma dívida em troca de algumas regalias. Tinha a falsa impressão de viver bem. A ilusão e a sensação de poder que eu tinha com o cartão eram fantásticas!

Como em um despertar, um belo dia, depois de tanto ler e, finalmente, compreender os artigos financeiros, consegui controlar o incêndio. Passei a usar o cartão com moderação. Comecei a ver a vida com outros olhos. Por necessidade, comprei um apartamento e precisei me reprogramar por inteiro. Com isso, veio a decisão drástica: cancelar o cartão. No início, foi como cortar parte do corpo. Mas a dor foi pequena e a cicatrização rápida. Uma semana depois, não tinha feito nenhum gasto fútil e nem acumulava gasto para o mês seguinte. O futuro não estava mais endividado!

No início, não foi fácil, como disse. Hoje, vivo melhor: compro só o que realmente preciso, com o dinheiro que tenho. Dessa forma, comprei todos os móveis da minha casa, compro roupas e livros, viajo, passeio e faço tudo que quero. Comprei meu carro, um modelo usado, à época com oito anos de uso, também à vista! Usar o crédito de forma consciente é bom. Sequer usá-lo é melhor ainda. Falo com propriedade de causa. O melhor (melhor, não o mais seguro) é usar o dinheiro em espécie, pois aí é notório o que se está gastando.

Hoje, com a consciência edificada em um alicerce financeiro inteligente, espero não sofrer com endividamento nunca mais. Algumas casas de shows, por exemplo, só aceitam o pagamento com cartão. O programa operacional do computador também: sem cartão de crédito, não há compra. Por isso, fiz a solicitação de um novo junto ao banco. De imediato, proibi o limite estratosférico que me foi oferecido (R$ 9 mil!) e fiquei com pouco mais de um terço desse valor como limite. Ainda acho um valor alto, mas estou mais maduro quanto às compras. Sempre faço as três perguntas necessárias para comprar qualquer coisa, de um doce a uma casa: eu quero? Eu posso? Eu preciso?

A prova que a maturidade venceu a ansiedade é que o novo cartão continua na gaveta do meu criado-mudo, bloqueado, sem pressa alguma de fazer a sua estreia. Muito diferente do que aconteceu anos atrás...

Erlandsson Oliveira é contador e autor do blog Papos e Passeios

Oito dicas para economizar na construção

Dinheiro não nasce em árvore! Para conseguir a casa dos sonhos – reformando ou construindo a partir do zero – é bom planejar bem, avaliar todo o processo e ser capaz de tomar decisões cortando despesas desnecessárias.

Seguem algumas dicas para economizar dinheiro sem perder a qualidade da construção.


1.Questione os projetos
Não tenha vergonha de questionar qualquer coisa que você não entenda no projeto. O projeto de gesso, por exemplo, pode ser cheio de rebaixos e sancas, mas se você der uma simplificada a economia pode ser grande.

2.Faça vários orçamentos e negocie!

A compra dos materiais deve ser realizada de forma planejada. Faça orçamentos em vários fornecedores, compre o maior número de itens possíveis de uma só vez, assim você consegue negociar desconto e prazo para pagamento. Caso não haja espaço para guardar tudo é só solicitar que a entrega seja feita parcialmente.

3. De olho na escolha dos acabamentos
O seu objetivo é escolher o material certo. Nem sempre o mais barato ou o mais caro é o mais indicado. Conheça, pesquise, visite lojas e pergunte para os profissionais o que utilizar. O material tem que estar adequado ao uso (por exemplo, no quintal use piso áspero). Um orçamento de mármores e granitos pode sair pela metade do preço dependendo da pedra escolhida. Fique atento! Verifique se as propriedades do material escolhido correspondem ao resultado que você quer ter.

Itens como pisos, azulejos, luminárias, maçanetas de porta podem variar muito de preço. Há vários modelos com preços e acabamentos bem variados. Amplie suas opções.

4. Pense verde
Além do custo de construção, você deve pensar no que vai gastar depois, quando for morar. Alguns materiais podem custar um pouco mais caro, mas farão você economizar dinheiro nas contas de energia e água. Luminárias eficientes, com lâmpadas LED, e torneiras economizadoras, ou com arejador ponta (para espalhar e usar menos água) são investimentos que valem a pena porque ajudam a reduzir suas contas.
Você também pode procurar por materiais usados para usar em seu projeto. Por exemplo, em lojas de reciclagem de vidros e espelhos é possível encontrar esses itens com grande desconto.

5. Escolha bem os profissionais que farão os serviços para você
Ha duas regras básicas para não errar feio com contratação do prestador de serviço: checar as referências e entrevistá-lo antes de contratar. A entrevista não é uma prova para testar o profissional; é mais uma conversa para ver se vocês se entendem para fazer sua reforma juntos. Se não houver entendimento antes, imagina o que vai acontecer durante a obra!

Se você optar por contratar uma construtora ou profissional que administre sua obra, provavelmente seu trabalho será o de ter reuniões periódicas para se informar sobre o andamento da obra.
Agora se é você que vai contratar direto a mão de obra, lembre-se de fazer o cronograma de sua reforma junto com os profissionais. Defina metas e prazos e programe também quando deverá ser realizada a compra de cada material para não atrasar a obra e gerar mais gastos.

6. Faça você mesmo
Se você tem tempo e algumas habilidades (só você sabe quais!), vale a pena um esforço extra e fazer você mesmo algumas partes da obra, principalmente se isso significa a diferença entre ser capaz de pagar o seu projeto ou ter que cortar as coisas que você realmente queria.

Mas, atenção: estude bem o que você vai fazer antes de começar. Por exemplo, pintar paredes, coisa que parece simples, requer todo um preparo para dar certo e para você gastar menos com material. Pesquise antes como fazer. E não se meta a fazer coisas que precisam de profissionais habilitados a questão é de segurança!

7. Faça somente o necessário ou planeje em etapas
Em construção, mais metragem quadrada é igual a mais dinheiro. Pense sobre o tamanho do seu projeto e pergunte-se sobre quanto espaço você realmente precisa. Cuidado com o “já que eu vou fazer isso…”. Seja racional para tomar as decisões e não se empolgue com novidades e coisas bonitas se elas não estão dentro dos seus planos, nem do seu orçamento. Fique atento para que o tamanho da obra e os custos não fujam do seu controle.

Se você tem realmente necessidade de construir ou reformar vários ambientes, mas a grana tá curta. Faça um planejamento em etapas, o que preciso primeiro? O que dá pra esperar? Posso mudar sem todos os móveis? E aos poucos a casa dos sonhos irá saindo do papel.

8. Prefira contratar um arquiteto ou engenheiro
O orçamento pode ser curto, mas contratar um técnico é uma maneira inteligente de ser eficiente na sua obra. Especialmente se a obra que você pretende executar pode colocar sua vida ou a estrutura da construção em risco, chame um arquiteto ou um engenheiro. Caso contrário, você pode ter mais dor de cabeça do que economia.

Fabiana Dias e Katia Sartorelli são autoras do site 100Pepinos, de dicas de reforma e construção, onde esse texto foi publicado originalmente

De olho no Imposto de Renda

Com a contagem regressiva para a declaração do Imposto de Renda 2015, os contribuintes devem estar atentos às regras de obrigatoriedade de envio. Profissionais liberais, por exemplo, devem declarar mesmo se tiveram renda inferior ao teto mínimo, tendo em vista que essa é sua chance de ter uma renda comprovada para bancos e demais instituições financeiras.

A declaração pode ser apresentada em dois modelos: o completo ou o simplificado. A opção completa é utilizada para quem possui muitas despesas dedutíveis e a simplificada é aquela onde a receita realizada tem um desconto de 20% na base de cálculo (soma dos rendimentos) sem o detalhamento das despesas. Assim, se os seus gastos comprovados forem menores que o desconto, essa será a melhor pedida.

Na declaração devem ser informados todos os rendimentos do contribuinte (salário, rendimento com aluguel, aposentadoria, pensão), além dos rendimentos isentos (poupança, lucros e dividendos) e sujeitos à tributação exclusiva (CDB, RDC, PLR), seus bens (casa, carro, previdência, poupança, aplicação, capital social), suas despesas (plano de saúde, médico, dentista, psicólogo, previdência privada, educação, dependentes, educação, ambos titular e dependente) e suas dividas (saldo devedor de empréstimo e financiamento). Para as deduções existe um valor fixo para desconto de dependente (R$ 2.156,52) e para educação (R$ 3.375,83). O item saúde não tem limites.

Para os profissionais liberais é dada a opção de escrituração do livro caixa, onde podem ser deduzidas as despesas de manutenção do escritório ou consultório (água, luz, telefone, aluguel, condomínio, encargos funcionários, material de limpeza, objetos de expediente).O contribuinte pode preencher ambas as declarações sozinho. Em caso de dúvida, só procurar um contador de confiança.

Anamélia Almeida é contadora

Um ano sem cartão de crédito

Desde que fui apresentada ao cartão de crédito, aos 19 anos, minha vida nunca mais foi a mesma. Deslumbrada com o poder que ele tem, comecei a comprar como se não houvesse amanhã. Isso porque, criada pela minha mãe que, além de mim, ainda sustentava, sozinha, com seu salário de bancária, minhas três irmãs, eu não tinha dinheiro para comprar o CD recém-lançado dos Titãs, uma calça jeans da Zoomp, que era febre entre as adolescentes da minha época, nem sequer uma bola de sorvete com as amigas no fim de semana.

Minha mãe nunca deixou que faltasse nada para mim e minhas irmãs. O que não tínhamos era o supérfluo. Roupas e sapatos, só duas vezes ao ano: junho e dezembro. Dinheiro para lanchar na escola, só de vez em quando, mas livros nunca faltaram. Quando tive a oportunidade de ter um cartão de crédito, na época da faculdade, me foi oferecido um cartão universitário com limite de R$ 500. Fiquei deslumbrada. Todo mês meu limite estourava e eu ficava pagando o valor mínimo da fatura. Nisso, uma bola de neve imensa se formou precisei recorrer à minha mãe. Ela me ajudou, mas a bronca foi inesquecível.

Depois disso, parti para os cheques até ficar com o nome sujo no SPC/Serasa e enfrentar uma ação de execução. Anos mais tarde, passei em um bom concurso público e meu primeiro salário eu torrei todo em roupas e CDs. Durante anos foi assim, torrando todo o meu dinheiro, me afundando em dívidas e estourando o limite do meu cartão de crédito.

No ano passado, aos 33 anos, descobri que estava grávida. Grávida, endividada, gastadeira e sozinha para arcar com as despesas que estariam por vir. Foi aí que a ficha caiu. Comecei a me controlar na marra, transformei minhas dívidas com o banco em um empréstimo consignado e, com o “troco” que sobrou desse empréstimo, comprei à vista quase todo o enxoval da Lígia. O uso do cartão de crédito diminuiu, mas as faturas continuavam altas, porque eu tinha inúmeras compras parceladas.

Em julho, ainda grávida, comecei a pagar um consórcio de um carro. Em setembro Lígia nasceu, em novembro, o valor da fatura foi diminuindo e eu até comecei a mandar um dinheirinho para a poupança. Mas aí veio dezembro e, com ele, os presentes de Natal, as promoções. Me vi usando e abusando do cartão novamente. De lá para cá, não parei e não consegui mandar nada para a poupança. Dei-me conta de que isso tinha de parar definitivamente, porque as despesas estavam aumentando. Fraldas, lencinhos, conta de luz, roupas de bebê, plano de saúde, farmácia, supermercado e a conta, outra vez, já não estava fechando.

Foi então que decidi criar o projeto “365 dias sem cartão de crédito”, onde, por meio de um blog, eu vou contando, dia após dia, a minha pequena luta para resistir à tentação das compras parceladas no cartão de crédito. Compras são permitidas, desde que à vista, depois de pagar todas as contas e mandar algum para a poupança. Escrever sobre isso em um blog, compartilhando minha experiência com outras pessoas, é como uma prestação de contas, um incentivo para que, todos os dias, eu resista ao meu maior ponto fraco: o cartão de crédito.

Amanda Alarcão é a autora do blog “365 dias sem cartão de crédito”

O amor que fez bem às finanças

Após três anos solteiro, entrar em um relacionamento me permitiu olhar de forma diferente para o dinheiro. Mesmo que os rendimentos tenham se mantido os mesmos, compartilhar objetivos e sonhos proporcionou maior zelo com a parte financeira. O cheque especial e o pagamento parcial do cartão de crédito deram lugar ao primeiro depósito na novíssima e promissora conta poupança.

Paulo Vitor, professor e jornalista

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