Esse espaço é seu. Mande para nós as suas histórias, lições, aprendizados, causos relacionados ao uso do dinheiro. Serão publicadas, com todo o carinho, aqui.

DUAS MOEDAS DE PROSA

O culto à beleza

Vivemos em uma era que valoriza a beleza e a juventude. Essa obsessão, diriam alguns, ou ditadura diriam outros, parece estar começando cada vez mais cedo, com crianças preocupadas com o peso e a aparência podendo cada vez mais ter transtornos alimentares. Mas ser bonito, ter boa aparência, interfere na sua carreira profissional? Parece que a resposta é SIM.

Vamos nos concentrar aqui não nas profissões onde beleza seria um requisito quase obrigatório como ator ou modelo, aquelas comumente ligadas com imagem pública, exposição, e sim na maioria dos trabalhadores, como eu e você. Assim, ser considerado bonito não é apenas uma vantagem social, mas pode melhorar sua carreira. Juliana Penha Gomes, em estudo realizado em seu mestrado na FGV, constatou que o crescimento salarial resultante de promoções e aumentos é mais rápido entre os considerados belos. Os "feios" ganham menos que os "bonitos", em média. Segundo o mesmo estudo, “os belos” também são considerados mais competentes que os demais. Outro estudo aponta também que as faltas e erros de quem é mais “bonito” tendem a ser minimizados por chefes e colegas. Conclusão: ao ser considerado belo, suas qualidades ficam mais visíveis e seus defeitos mais invisíveis, tendendo a subir mais rápido na carreira e com maiores salários.

Curiosamente, um estudo publicado pela The Royal Economic Society revelou que currículos com fotografias de mulheres consideradas mais atraentes resultaram em 25% menos convites para entrevistas de emprego. Já os homens com o mesmo perfil receberam 20% mais encaminhamentos para entrevistas. Os pesquisadores atribuem este dado ao fato de que as equipes de recursos humanos são compostas por uma parcela de, em geral 96% de mulheres, na faixa entre 20 e 30 anos, sendo 70% delas solteiras.

Talvez o estudo mais aprofundado sobre o tema seja o da socióloga Catherine Hakim, professora da London School of Economics. Em seu livro, “Capital Erótico - Pessoas Atraentes São Mais Bem Sucedidas - a Ciência Garante”, ela afirma que o conjunto de características pessoais que vão além da beleza propriamente dita, como charme, carisma, boa aparência, confiança e alta capacidade de comunicação seriam ativos importantes, chamando o conjunto dessas características de “Capital Erótico”, sendo tão ou mais importante que os outros “capitais”, que seriam:

1. O capital financeiro: o quanto você tem;
2. O capital humano: o quanto você sabe;
3. O capital social: quem você conhece.

Segundo Hakim “Beleza e charme são commodities valiosas, que têm oferta escassa em qualquer sociedade” e seria mensurável, nos seus estudos apontam que mulheres atraentes recebem 30% a mais e homens 20%. Para a autora seriam tão ou mais importante ser comunicativo, bonito e bem vestido do que rechear o currículo com cursos, línguas, MBAs, estágios no exterior, ter uma rede longa de contatos, etc. E que seria muito importante para ter maior e mais rápido sucesso profissional produzir melhorias estéticas seja com maquiagem, ortodontia ou mesmo cirurgicamente. Quanto maior o Capital Erótico, mais bem sucedida a pessoa será.

Falta de zelo com a aparência, desleixo e falta de higiene são, com certeza, elementos desabonadores e podem influir negativamente em como os outros enxergam a ti. Por mais que não queiramos, a aparência física ainda é um grande balizador social e esses estudos sobre o mundo do trabalho só ampliam o leque da discussão.

Certa vez, em entrevista, Christine Lagarde, presidente do FMI, disse que chefiou o braço europeu de uma prestigiada banca americana de advocacia até entrar para a política em 2005. Em pouco mais de cinco anos, liderou três ministérios do governo francês, incluindo o das Finanças, tornando-se, em 2007, a primeira mulher a comandar uma pasta dessa importância em um país do G8. No topo da carreira, admite que sempre mantém a aparência impecável e “chega a perder horas de sono para manter a silhueta esguia, frequentemente exibida em tailleurs bem cortados”. Se alguém como ela sofre esse tipo de pressão, imagina quem está lutando por um cargo de trainnee?

Sandro Massaru Ueki é psicólogo clínico e da educação

 

'A educação mudou o rumo da minha vida'


Nasci numa pequena cidade de cerca de 15 mil habitantes do Paraná, Terra Rica, cuja principal fonte de renda é a agricultura. Meus pais, muito simples e sem ensino fundamental completo, vieram para São Paulo tentar a sorte incentivados por um tio que já estava na capital. Meu pai foi trabalhar numa metalúrgica como ajudante e minha mãe como diarista. Entre todas as dificuldades existentes, a educação foi prioridade.

Entre idas e vindas, a separação de meu pai e minha mãe deixou as coisas mais difíceis. Dona Cida ficou com três filhos para criar e estava sozinha. A pobreza e as dificuldades sempre fizeram parte da minha vida. Não tínhamos moradia e acabamos indo viver num terreno de invasão, em uma favela. Quando alcancei a idade de trabalho, aos 14 anos, fui trabalhar num mercadinho no bairro para ajudar em casa e a nossa situação começou a melhorar.

Entre todas as dificuldades, a religião nos dava garra para continuar, mas em contrapartida me bitolei e deixei de estudar, dedicando o tempo livre à religião. Depois de um certo tempo, retornei aos estudos. As variáveis que me levaram a começar a estudar. O start inicial aconteceu e eu não parei mais. Hoje sou mestre em Física na área de Desenvolvimento de Matérias e curso o doutorado, além de estar fazendo nova graduação, em Engenharia de Produção, à distância.

As dificuldades financeiras ainda existem, mas não mais na proporção de antes. Tenho um apartamento onde minha mãe mora e vivo de aluguel em função da facilidade de deslocamento para o trabalho. A vida que levo hoje vem do meu esforço e dedicação à educação, que sempre me acompanharam ao longo dos anos. A educação mudou o rumo da minha vida.

Ademilson Rogério, físico e professor universitário

 

 

O maravilhoso mundo do cheque especial

Eu tinha mais ou menos dezesseis anos. Primeira conta corrente e um orgulho danado dos R$ 230,00 que ganhava em meu estágio. Certo dia, julgando que tinha saldo, fiz um pequeno saque no banco. No mês seguinte, descobri que tinha usado o cheque especial. Com uma imaginação mirabolante e o juízo dos adolescentes, visualizei aquela ferramenta dos desesperados como uma grande amiga, alguém com quem eu podia contar caso quisesse tomar um Milk Shake ou viajar para a Groelândia.

Só que eu não levei em conta os juros exorbitantes que teria de enfrentar, pois, neste primeiro saque, não tinha pago dividendos a mais, já que meu salário caiu dentro do período de "tolerância" do cheque especial. Resultado: em poucos meses, estava com uma dívida gigantesca no banco que só fui conseguir pagar milênios depois.

Com a popularização, cada vez maior, da educação financeira, torço para que cada vez menos adolescentes e outros desnaturados, como eu fui, passem por esse tipo de situação. A partir dessa experiência, deixo uma dica simples, mas eficiente: busque o máximo de informações possíveis sobre como administrar seu dinheiro. Deste modo, o cheque especial, e outras loucuras, passarão longe do seu mundo ou só serão usadas com disciplina. Ah, o melhor de tudo: você não vai precisar adiar suas viagens para a Groelândia!

João Barros, 29 anos, jornalista

'Prosperidade é fazer valer cada centavo'

Há dezesseis anos eu morava com minha falecida avó, tinha um emprego na frente minha casa com um salário baixíssimo e não estudava. Tinha muitos sonhos, mas me faltava dinamismo para correr atrás e realiza-los.

Quando a minha avó se foi e eu me vi só, sem o meu alicerce, que era ela, fui morar sozinha e longe da minha família. Me vi obrigada a crescer como pessoa e buscar uma vida mais próspera e estável: voltei a estudar e comecei a ser mais exigente em relação a um novo emprego, a um cargo melhor e a um salário que me fizesse conquistar meus objetivos.

Nesse caminho, encontrei o meu marido, que me ajudou muito e me ajuda até hoje. Acredito mesmo que, por trás de uma grande mulher, tem sempre um grande homem. Construímos uma família, compramos uma casa, um carro, viajamos sempre que podemos.

Começamos a trabalhar juntos nesse projeto de vida em comum, a união traz prosperidade. Sem objetivos, não temos razão para viver. Até fizemos um pacto de não ficar falando sobre o que queremos antes de chegar lá, isso para não criar expectativas e fugir da cobrança das pessoas.

Diante disso tudo, me divirto muito com as minhas amigas quando elas brincam comigo usando o bordão “Eu sou ricaaaaaaaa!”. Eu valorizo as pequenas coisas que faço, até aquilo que custa pouco dinheiro. Sempre que posso, me dou ao luxo de gastar um pouquinho mais para satisfazer uma vontade. Prosperidade para mim é saber viver feliz com o que temos e fazer valer cada centavo.

 Adriana Ruiz Medeiros

Não dá para gastar todo o salário

Um dia destes no meu trabalho, uma colega professora estava fazendo alguns comentários sobre dinheiro, que comprovaram aquilo que acredito sobre poupar. Dizia ela que há muito tempo deveria ter poupado um pouquinho a cada mês, a cada salário recebido. Disse que na época que iniciou o trabalho na escola pensava apenas em viver bem com aquilo que recebia e não fazia sobrar nada, gastava tudo! Disse ela que se tivesse poupado um pouco a cada mês hoje estaria com uma gordurinha pra queimar, para poder viajar pois está prestes a se aposentar.

Sua fala só me fez reforçar a minha crença sobre finanças pessoais: não posso gastar tudo o que recebo de salário, é preciso ter disciplina pra poupar um pouco a cada mês. Para que isso seja possível preciso fazer esforço: olhar aquela blusa linda e não comprar, afinal tenho várias no armário. Quando eu realmente precisar, posso barganhar um desconto pagando à vista!

Já estou disciplinada quanto a isso e com o passar dos anos reafirmo essa conduta pois consigo ter uma vida financeira tranquila. Vale a pena poupar!

Nara, professora

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